



Neste domingo (dia 24/08/2008) participei da 9a.Corrida Internacional Matilat-Nardini que se desenvolvia em 10 km de vias da cidade de Catanduva, a 398 km da capital paulista.
Foi um fim-de-semana especialmente diferenciado, pois devido as atribulações do cotidiano profissional cada vez mais impiedoso no que tange ao tempo absorvido de nossas vidas, quase nunca encontramos espaço para exercitar o necessário e salutar exercícios de convivência com nossos parentes.
Rumei na sexta-feira (de ônibus) para Catanduva em companhia da
minha mãe, o que foi deveras agradável e fonte de grande paz de espírito.
O ramo da família que está estabelecido na localidade foi de um acolhimento e hospitalidade que poucas vezes estamos habituados a receber em nossa "selva de pedra" natal.
A lista de agradecimentos e lembranças será extensa mais premente, já que a genuína alegria e coração aberto com que as pessoas lhe recebe me faz pensar sobre o quanto há seres humanos de alma pura e cultivadores da boa essência do cristianismo (aquela que nem as instituições religiosas conseguiram
deturpar ou manipular), no que é
concernente ao verdadeiro e
abnegado amor (sincero) pelo próximo.
Faz inacreditáveis 15 anos que eu não retornava ao cenário em que fiquei durante (poucas, é verdade) férias escolares e algumas mudanças na pequena cidade, se fizeram notar:
- O aspecto de
capitanias hereditárias de
senhores de engenho (de cana-de-açúcar) domina o Oeste Paulista, e a observação de imensos "latifúndios" monocultores remontam ao
Brasil Colonial e suas mazelas socais. É sempre
temerário (sob o ponto de vista da lógica mercadológica-econômica) a total dependência dos agricultores em relação a uma única cultura agrícola...
- A preocupação dos habitantes com a (in)segurança pública remonta a nossa paranóia (absoluta compreensível) paulistana com a integridade física, já que a tranquilidade interiorana de outrora, onde as pessoas descansavam em cadeiras na calçada com os portões (de pequena envergadura) das casas abertos, foi substituída por muros, grades e cadeados enormes... Lamentável e deprimente...
No que se refere ao evento de pedestrianismo em si a organização nada deixou a desejar (guardadas as devidas e óbvias proporções) as congêneres da "Metrópole":
- Retirada do kit absolutamente organizada e ordeira.
- Banheiros químicos (montados na arena localizada dentro de uma planta industrial da indústria de latícinios supracitada) inacreditavelmente "utilizáveis" e em quantidade e qualidade insuperavelemente superioras aos encontrados por aqui.
- O número de staffs absolutamente adequado, o que proporcionou uma hidratação aos atletas exemplarmente executada, com farta distribuição de água durante a prova.
- A se parabenizar o engajamento do poder público local para a realização do evento, com autoridades do Tiro de Guerra (recrutas do Exército), ambulâncias, batedores e orgãos de controle do tráfego que executaram um perfeito isolamento de carros para o "bel-prazer" dos corredores.
- A maior parte do percurso se deu em vias largas, o que difere (positivamente) das provas Corpore, pois não houve (nem por um só segundo) "engarrafamento humano", já que a quantidade de participantes (+/- 900 concorrentes) pode ser considerada como "ideal" no tocante ao "conforto" dos praticantes.
Quanto a inexpressiva participação deste que vos escreve, sempre pagamos um preço expressivo por negligenciar as sábias recomendações dos amigos corredores mais experimentados.
O
erudito Fábio Namiuti tinha me escrito (com a sapiência de sempre) que adotasse um ritmo conservador em uma prova notadamente caracterizada pela alta temperatura ambiente e altimetria nada desprezível.
Mas fiz tudo errado ! (como sempre, risos !).
O evento se iniciou as 09:02 h (sem atrasos, portanto) e o Astro-Rei já dava o "ar da graça".
O primeiro quilômetro foi concluído em 04:51 minutos, o que fez o Pangaré aqui cair na perigosa armadilha da
presunção.
Mesmo ofegante (precocemente) e com o Sol castigando o "lombo", continuei o meu "suícidio a conta gotas": segundo quilômetro em 09:00 minutos !
A insanidade proseguiu no terceiro km: 13:51 minutos ! Um ritmo absolutamente incondizente com o meu atual (péssimo) condicionamento físico.
A sensação das pernas constituídas de chumbo (tal como na última
corrida Duque de Caxias) se manifestou ainda mais fortemente e (vergonhosamente) comecei a primeira de uma série de
corrinhadas (corridas com caminhadas).
No segundo posto de hidratação (km.5) tomei água como se estivesse caminhando pela praia ! (risos!) No meio do "passeio público" e andando vagarosamente ! Se fosse em SP seria hostilizado, atropelado e até desclassificado, mas os corredores locais não sofrem da compulsividade "competitiva" dos estressados pedestrianistas paulistanos.
O ritmo foi tão intenso (para os meus modestos padrões) que mesmo já tendo caminhado 3 vezes (!!!!) passei a metade da prova abaixo de 25 minutos, o que se encaixaria na minha meta de concluir os 10 km em 50 minutos.
Daí começaram as temidas subidas e eu cheguei a andar oito vezes (escrupulosamente contadas e anotadas no "livro mental").
É
embaraçoso e desqualificador para qualquer corredor, mas eu adotei este critério de parar sob qualquer
pretexto (por mais insignificante que fosse) e admito (um pouco constrangido) que tal como a canção (que eu alterarei o sentido original)
O que é? O que é ? do inesquecivel
Gonzaguinha, direi a plenos pulmões: "Andar (sic) e não ter a vergonha de ser feliz !".
Caminhei, mas não me senti desprezível por isso.
Fiquei chateado (comigo mesmo) mas tenho fé que as coisas serão diferentes na minha estréia em Meias-Maratonas na Praia Grande.
Fazer o que eu fiz (ir para um evento sem ter treinado corrida um só dia na semana) e "menosprezar" as dificuldades
intrínsecas a região, é imprudente e não devem ser repetido, ao menos isso eu aprendi ! (risos !).
Ao fim do meu rastejamento ao Sol desértico, ensaiei um sprint "mandrake", só para salvar (parcialmente) a honra e fechei o trajeto em 00:52:52 h.
Não houve "lanche" no término, mas isso em nada desabonou a "carreira" e houve até camiseta e medalha que são simples mas de grande valor sentimental para mim !
A despeito do (recorrente) mal desempenho atlético, gostaria de agradecer imensamente a paciência, desprendimento e pelo carinho dispendidos (a nós) para:
- Minhas tias-avós: Caro, Maria, Elza I e Elza II.
- Meus tios-avôs: Hilton, Wilson, Zé Mário e Roberto.
- Meus primos: Mário José, Ricardo, Marcelo, Fernando e Rodrigo.
Muito grato por ter me levado para cima e para baixo, pelos almoços, jantas e lanches e principalmente: MUITO OBRIGADO POR VOCÊS SEREM ESTAS PESSOAS ESPECIAIS QUE VOCÊS SÃO !
Foi um excelente fim-de-semana !
Que seja assim no próximo e vindouro "domingo esportivo".
MÃE ! VALEU MESMO ! MUITO AGRADECIDO !